Agora grávida pela segunda vez, não pude deixar de relembrar a primeira experiência de parto, creio que seja bom para a a preparação do segundo. Quero que seja uma experiência maravilhosa assim como foi o primeiro, igual nunca será pois cada parto é único.
Me sinto preparada para o parto da Raquel, que está bem próximo, vou me entregar para este momento e confiar em Deus o criador da natureza e do meu corpo, quem me conduzirá para trazer ao mundo mais uma vida.
Agradeço a Deus pelo privilégio de poder parir.
Vou contar agora um breve resumo da minha primeira experiência de parto em 2005.
Numa tarde de sexta-feira dia 19/08/2005 eu me meu esposo Bernardo saímos para passear depois fomos aos supermercado e voltamos para casa por volta das 19 horas. Meu esposo disse que estava com dor de cabeça e queria se deitar um pouco, aproveitei e o acompanhei no descanso. Quando estava naquele soninho bem gostoso senti uma coisa quente e úmida escorrendo em minhas pernas, cheguei a pensar que era xixi, cheirei e não havia cheiro algum, jorrava como uma fonte, logo falei:
-É a bolsa!
Acordei o Bernardo e fui para o banheiro tomar banho, o relógio marcava 20:20 horas, comecei a me despedir da barriga, sozinha no chuveiro conversei com minha filha, deu uma vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo. Foi uma sensação estranha de alegria com lamento de despedida. Foi mágico! Um momento muito especial e único. Liguei para meu obstetra (Dr Paulo Batistuta) e ele me orientou a esperar as contrações chegarem e aproveitar para descansar. Eu esperei as contrações, porém não consegui descansar. Estava um pouco agitada e emocionada.
As 21:10 horas senti a primeira contração e logo em seguida elas começaram a vir de forma mais ritmada com intervalos curtos. A partir daí fiquei andando, mexendo com o meu quadril, passei algumas contrações na posição de gatinhas, deitei de lado para descansar e ficava na posição de cócoras durante algumas contrações. Não tinha apetite para comer o que fiz foi beber muita água, suco e chá de canela quentinho. As contrações foram se intensificando e decidimos nos preparar para ir ao hospital as 2:00 da manhã.
Eu estava muito feliz porque sabia que a minha filha chegaria logo, e que tudo estava acontecendo como eu planejava e sonhava. No hospital o meu obstetra fez o exame de toque e disse que estava com 5 cm de dilatação, fiquei feliz com a notícia. O trabalho de parto estava evoluindo aproveitei e fiz caminhada pelo corredor do hospital, ficava conversando com meu esposo que também estava muito feliz e ansioso pela chegada da nossa filha, ele não parava de fazer massagens na lombar, durante as contrações. Ele procurava sempre manter meu corpo relaxado, o que me relaxava bastante era o banho de água quente. O que foi muito difícil para mim foi deitar de barriga para cima, nesta posição a dor piorava muito, para mim foi insuportável. Sentar era mais confortável, existe uma cadeira que se chama “cavalinho” que é bem confortante, ah como foi bom se sentar ali e sentir as massagens caprichadas do meu marido. Fazer movimentos com o quadril também foi relaxante sentia que aliviava a pressão lá no períneo.
Foi passando as horas e a intensidade das contrações foi aumentando. A dor se tornava mais forte em algumas contrações, mas eu pensava:
-Não vou desistir, terei minha filha de parto normal. Estou bem e meu corpo está evoluindo de forma perfeita. Não há o que temer. Vou trazê-la ao mundo e irei suportar essa dor. Sei que ela é importante para o processo do parto.
Comecei a sentir enjôo e vomitei no quarto, mas eu não estava nem aí. O instinto de parir prevalece e não damos importância para estas coisas, na verdade isso faz parte das funções fisiológicas na qual nosso corpo vivencia na luta pela vida.
As 6:00 horas da manhã meu obstetra me examinou novamente e eu estava com 6 cm de dilatação, os batimentos cardíacos da minha filha estavam excelentes, não havia motivos para se preocupar. Meu corpo estava exausto, sem forças, mal conseguia abrir os olhos de tanto cansaço. Meu obstetra sugeriu deitar um pouco para relaxar as pernas, porém eu não conseguia, pois a dor aumentava muito na posição deitada. Fui para o centro cirúrgico e recebi uma dose de analgésico que me relaxou um pouco e pude deitar na cama, consegui relaxar por 1 hora e mais, depois disso as contrações voltaram a ficar intensas e pulei da cama, pois já dava mais para ficar deitada. Após algumas horas, foi realizado mais um exame de toque e eu já estava com 9 cm de dilatação, fiquei felicíssima sabia que agora faltava pouco. Senti-me forte por já ter vencido quase todo o trabalho de parto me senti ainda mais ativa e disposta a empenhar tudo de mim para que a minha filha nascesse. Senti vontade de agachar durante as contrações e caminhava durante os intervalos alternando com movimentos no quadril e ficar na posição sentada. Todos ao meu redor estavam me encorajando e me dando forças naquele momento.

A esquerda Dr Paulo Batistuta (Obstetra), Priscila Valentim, (Parturiente), Bernardo Valentim, (Esposo e Acompanhante), Dra Delza Marim, (Neonatologista). Hospital Santa Rita, 2005.
Eu sentia dentro de mim que já estava chegando perto do fim, fiquei pensando na última fase, a saída do bebê, e de como eu deveria agir naquela hora. Senti um peso bem no pé da barriga, era a minha filha se encaixando no canal vaginal, pronta para sair. Naquele momento me senti preenchida e ao mesmo tempo aflita, pois o bebê estava ali embaixo.
Nessa hora o obstetra foi um braço forte, parecia que eu iria desmaiar e ele me sustentou, me abraçou, me acalmou disse que estava indo bem, que eu precisava fazer minha parte e que aquele momento final necessitava de concentração.
Não me senti num hospital, parecia que eu estava em casa rodeada por pessoas que estão torcendo por mim. Com certeza este clima me ajudou muito.

Momento de contrações intensas com o bebê se encaixando para nascer.
Pensei que não fosse conseguir e perguntei para meu obstetra se ela iria nascer logo. Ele me respondeu: “Só depende de você”.

Momentos finais do período expulsivo
Ele sugeriu que eu tocasse a minha vagina para sentir a cabeça do bebê. Quando eu me toquei e percebi que ela estava ali, eu olhei pela janela vi as árvores lá de fora, fechei meus olhos e orei a Deus pedindo que me ajudasse que guiasse meu corpo da melhor maneira para conduzir minha filha a este mundo.
Ouvi do obstetra: “Já vejo o cabelinho preto dela”
Continuei concentrada, mas feliz por saber que meu corpo estava entregue àquele momento. Continuei sentindo uma forte pressão no períneo e uma ardência. Naquele momento a cabeça estava saindo completamente e mais uma contração saiu todo o corpinho as 11:10 horas da manhã de sábado do dia 20/08/2005. A Milena nasceu! Senti um alívio imediato. A dor desapareceu. As sensações eram boas e o sentimento foi indescritível.
Quando vi aquela criança linda, perfeita, com um olhar angelical pensei:
- É a Milena, o bebê que Deus me deu, que estava aqui dentro do meu ventre e agora nasceu de minhas entranhas. Minha filha tão querida! Obrigada meu Deus!

Observações acerca do meu primeiro parto:
Foi a melhor experiência da minha vida
Meu esposo foi brilhante, esteve comigo o tempo todo, a presença dele foi muito importante, sabia o que fazer em todos os momentos, descobri que tenho o melhor marido do mundo, eu o amo.
Não foi realizado a Episiotomia (corte que se faz na vulva, para facilitar a descida do bebê)
Não foi usado hormônios artificiais para acelerar o trabalho de parto.
Como não consegui descansar enquanto estava em casa quando as contrações ainda estavam bem leves, fiquei muitas horas sem conseguir repousar o que me levou a sentir muito cansaço físico, por isso fez-se necessário o uso de um analgésico para que eu pudesse relaxar um pouco. Naquela situação foi muito útil e fez muito bem para o andamento do parto, embora não tivesse nos meus planos.
Um ambiente humanizado principalmente em um momento como este, o parto, é a chave para o sucesso e bem estar da mãe e do bebê.
Em breve estarei aquí novamente para contar a segunda experiência de parto.
Até Mais,
Priscila Valentim